6 - Roy

TROCAS HISTÓRICAS #6 – A desastrosa troca de Patrick Roy

Que o Montreal Canadiens é historicamente uma das franquias mais importantes, além de ser a maior vencedora da NHL isso é inegável. A franquia ainda foi a última do Canadá a conquistar a Stanley Cup em 1993, porém logo após isso mergulhou em um complicado momento, sendo eliminado dos playoffs no primeiro round da temporada seguinte e não se classificando na temporada 1994-1995.

A temporada 1995-1996 começou de forma conturbada para os Habs, com o treinador Jacques Demers sendo demitido após apenas 4 jogos (e 4 derrotas). Para o seu lugar, os Canadiens contrataram Mario Tremblay, ídolo da franquia, que atuou por 12 anos em Montreal e conquistou 4 Stanley Cups com a equipe. Se os donos e diretores soubessem…

Sob o comando de Tremblay, os Canadiens mostraram uma reação, com uma sequência de 8-2 em 10 jogos. Ao fim do mês de Novembro, começou um período que iria redefinir o futuro da franquia, em uma das trocas mais faladas da história e considerada um desastre total para Montreal.

A equipe começou a oscilar e informações da época apontavam algumas faíscas entre o treinador e a estrela do time, o goleiro Patrick Roy, vencedor de 2 Stanley Cup, 2 Conn Smythe e 3 Vezina Trophies até aquela temporada.

MAS POR QUE OS HABS TROCARAM ROY?!

Roy era a estrela e previamente a chegada de Tremblay, era o líder do vestiário dos Habs e tinha uma grande influência, o que o novo treinador tentou mudar de imediato, iniciando os problemas entre os dois. Tremblay pegava pesado com Roy nos treinos, muito em função de tentar enviar uma mensagem a equipe de quem estava no comando e isto não passava batido, tendo inclusive disparado um puck que acertou Roy na garganta em um dos treinos.

Os pequenos conflitos entre os 2 explodiram de vez na noite do dia 2 de Dezembro de 1995, em mais um jogo de temporada regular, onde os Habs receberam os Red Wings no Forum.

Detroit abriu 5×1 ao fim do primeiro período e como de costume, todos esperavam que Roy seria tirado do gelo para dar lugar ao seu backup, o que não aconteceu. Tremblay mandou Roy de volta ao gelo e o que já estava ruim, acabou por piorar ainda mais, uma vez que os Red Wings rapidamente fizeram 8×1 durante o segundo período e após uma defesa simples, alguns torcedores aplaudiram Roy de forma irônica, deixando o goleiro possesso de raiva e a partir deste momento, a cada defesa, Roy erguia os braços para “saudar” os torcedores.

Aqui é importante destacar o que acontecia no banco dos Canadiens: NADA!
Mario Tremblay ficou o tempo todo de braços cruzados, sem demonstrar qualquer incomodo com a humilhação que seu time e especialmente seu goleiro estava sofrendo, ignorando constantes pedidos de seus assistentes para substituir Roy. Ao que tudo indica, Tremblay queria enviar uma mensagem direta de que era ele quem mandava ali e ele tomava as decisões.

Somente quando os Red Wings fizeram 9×1 o treinador deu a ordem para a substituição acontecer, mas o estrago já estava feito e custaria caro. Roy saiu do gelo e passou pelo treinador, olhando fixamente para Tremblay, que não evitou o olhar perfurante do goleiro. Roy então volta, vai até o presidente dos Habs que assistia ao jogo atrás do banco e o informa que esta havia sido a última vez que vestira a camisa do Montreal Canadiens No dia seguinte, Roy foi suspenso pelos Canadiens e requisitou uma troca.

E então, 4 dias após a partida diante dos Red Wings, o anúncio: Patrick Roy e o capitão Mike Keane haviam sido trocados para o Colorado Avalanche. Abaixo, os detalhes da troca:

Para Colorado:
– Patrick Roy (G)
– Mike Keane (W)

Para Montreal:
– Jocelyn Thibaut (G)
– Martin Rucinsky (W)
– Andrei Kovalenko (W)

E DEPOIS DA TROCA?!

Para Colorado, a troca teve impacto imediato e o já talentoso time, ficou ainda mais forte com a presença do que era um dos melhores goleiros da época nas redes do time de Denver. Mike Keane trouxe ainda mais experiência para a equipe liderada pelo talentoso Joe Sakic. Já na temporada 1995-1996, os jogadores ajudaram o Colorado Avalanche a conquistar a Stanley Cup, a primeira da franquia. Apesar de terminar a temporada com números mais modestos, já a partir da temporada seguinte Roy voltou a ser o goleiro de outrora e trazendo enorme consistência para o setor defensivo da equipe. Na temporada 2000-2001, Roy atingiu a maior marca de sua carreira com 40 vitórias em 62 jogos e foi vital no segundo título do Colorado Avalanche, conquistando também o Conn Smythe, entregue ao melhor jogador dos playoffs. Roy se aposentou ao fim da temporada 2002-2003, após 17 anos na liga e com um total de 551 vitórias na carreira, segundo maior vencedor de todos os tempos. Sem dúvidas que a grande aquisição, seguida pelos 2 títulos ajudaram a estabelecer o Colorado Avalanche em Denver, assim como a troca com os Flyers poucos anos antes da troca por Roy (clique aqui para ler)

Para Montreal, o que inicialmente parecia uma promissora troca, acabou sendo um total fiasco. Jocelyn Thibault era um goleiro que havia recebido muita atenção a época, sendo considerado o goleiro do futuro. Em sua primeira temporada, Thibault teve bons números com a camisa dos Habs e a equipe conseguiu reverter o momento ruim e chegar aos playoffs, sendo eliminada logo de cara no primeiro round. Porém nas temporadas seguintes, Thibault não se desenvolveu como esperado, e seus números caíram. O goleiro atuaria por apenas 4 anos em Montreal e aos 24 anos de idade, foi novamente trocado, desta vez para o Chicago Blackhawks. Andrei Kovalenko teve uma boa temporada com a equipe, mas acabou sendo trocado ao fim da mesma por Scott Thornton, que pouco fez pela equipe de Montreal. Dentre todas as peças envolvidas na troca, Martin Rucinsky foi a que mais atuou por Montreal. O jogador passou 7 temporadas com a equipe, mantendo uma boa média de pontos e contribuindo muito bem no gelo. No entanto, as coisas em Montreal não foram mais as mesmas, a equipe amargurou diversas temporadas ruins após a troca de Roy, tensões aumentaram entre Tremblay e o restante do elenco e o que outrora foi uma franquia vencedora e respeitada, acabou por entrar em um péssimo momento que se estendeu por muitos anos. O Montreal Canadiens nunca mais disputou uma Stanley Cup e somente na temporada 2009-2010 conseguiu passar novamente do primeiro round dos playoffs. Entre 2010 e 2014, a equipe voltou a viver um bom período, chegando em finais de conferência, mas logo os problemas tomaram conta da franquia, que novamente busca se restabelecer.

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