PWHPA decide seguir com planos futuros para o hóquei feminino sem a PHF

PWHPA decide seguir com planos futuros para o hóquei feminino sem a PHF

A Professional Women’s Hockey Players Association (PWHPA) tem o objetivo de construir uma liga mais sustentável para as melhores jogadoras do mundo. Esse objetivo não conta com o envolvimento da Premiere Hockey Federation (PHF), entretanto.

O conselho da PWHPA – que tem o apoio das maiores jogadoras de hóquei do mundo, incluindo as atletas olímpicas pós-universitárias de 2022 dos EUA e do Canadá – votou por unanimidade para encerrar quaisquer outras discussões sobre a colaboração com a PHF, segundo fontes ao The New York Times. A PHF atualmente é a única opção para o hóquei feminino profissional na América do Norte.

PWHPA decide seguir com planos futuros para o hóquei feminino sem a PHF
Reprodução/Sportsnet

Por fim, algumas preocupações em trabalhar com a PHF – como financiamento e a falta de uma proposta comercial convincente – levaram a esta decisão, que foi entregue à PHF na tarde de segunda-feira (11). A NHL também foi informada sobre a decisão da PWHPA.

Esta é a culminação de uma longa briga entre as duas partes sobre o futuro do hóquei feminino que veio à tona a pedido de Gary Bettman, comissário da NHL. Os dois lados se reuniram com Bettman no mês passado para discutir a possibilidade de unir forças para uma liga profissional feminina única, mas os detalhes dessa reunião não foram divulgados. Agora a PWHPA decidiu seguir seu próprio caminho.

Tudo isso leva a uma pergunta frequentemente feita: Por que o PWHPA não funciona com o PHF?

Uma fonte a par da situação disse que, em várias correspondências, a PHF não apresentou “um plano tangível” que abordasse as visões e as necessidades das atletas da PWHPA. As discussões sobre a união de forças geralmente se concentram no sentimento geral de que ambos os lados devem trabalhar juntos para o bem maior do jogo, sem qualquer noção clara do que isso significa ou de como poderia ser.

Isso, atrelado a outros fatores, não foi o suficiente para convencer a PWHPA a trabalhar com a PHF.

Outro ponto recente na decisão da PWHPA é a preocupação com algumas fontes de financiamento da PHF.

John Boynton, presidente do Conselho de Administração da PHF e proprietário de uma das equipes, também é acionista fundador e presidente da Yandex – uma empresa de tecnologia russa que foi recentemente descrita pela Wired como “Google, Uber, Spotify e Amazon da Rússia combinados”.

Boynton faz parte de um grupo – os BTM Partners – que atualmente é dono do Boston Pride e do Metropolitan Riveters. A PHF anunciou que o Toronto Six, que até recentemente era de propriedade da BTM Partners, foi vendido para um grupo totalmente BIPOC (sigla em inglês para englobar todos aqueles que não se consideram brancos) que conta com Angela James, jogadora do Hockey Hall of Fame, e o ex-NHLer Anthony Stewart.

Desde que a Ucrânia foi invadida pela Rússia em fevereiro, as federações esportivas não apenas condenaram as ações, mas também cortaram qualquer tipo de relações com parceiros russos. A NHL suspendeu seu relacionamento com Yandex e todos os parceiros de negócios russos, após mais de dois anos de parceria e um contrato de extensão de vários anos com a empresa. 

PWHPA decide seguir com planos futuros para o hóquei feminino sem a PHF
Reprodução/Sportsnet

Embora a NHL não tenha nenhuma participação na PWHPA oficialmente ou não, tais tomadas de decisão levaram os membros da PWHPA a se perguntar: Por que eles se afiliariam a um grupo com o qual a NHL não trabalharia neste momento?

Além disso, existe a preocupação de que a afiliação com a Yandex coloque em risco possíveis patrocínios com o tipo de empresa de primeira linha necessária para financiar adequadamente a liga que a PWHPA prevê.

Outras considerações para a PWHPA incluem a visão geral de uma liga que incluiria as melhores jogadoras do mundo – que atrairia até mesmo as maiores jogadoras da Europa para jogar na América do Norte em tempo integral. Nenhuma liga conseguiu atingir esse objetivo, nem mesmo a PHF ou a Canadian Women’s Hockey League (CWHL). Várias ligas europeias também não conseguiram atrair as melhores atletas para um só lugar.

Uma prioridade para a PWHPA sempre foi ter uma liga com recursos, infraestrutura e remuneração que permita que suas jogadoras sejam realmente atletas profissionais durante todo o ano, em vez de exigir que as atletas trabalhem em empregos extras para ganhar a vida e treinar tarde da noite. A PWHPA tem uma visão e um plano claramente articulados sobre como uma liga poderia ser e, de acordo com fontes, a PHF não conseguiu satisfazer os elementos dessa visão no curto e médio prazo.

Com um alto grau de solidariedade entre seu grupo de atletas de elite, as jogadoras do PWHPA têm bastante influência e poder no momento – especialmente por terem vindo de mais uma Olimpíada de sucesso com milhões de espectadores – para tentar conseguir o que desejam.

A PHF tentou ser o que as jogadoras da liga querem, e os responsáveis acreditam que continuam a dar bons passos nessa direção.

Anya Packer, general manager do Metropolitan Riveters, disse durante um painel de mídia recente que algumas de suas atletas não precisaram trabalhar em outro emprego nesta temporada para complementar sua renda com o hóquei. Em janeiro, a liga anunciou um compromisso de investir mais de US$25 milhões de seu Conselho de Governadores nos próximos três anos. No centro do investimento está um aumento do teto salarial para US$750.000 para a próxima temporada, 150% a mais do que o valor recorde atual de US$300.000 já disponível por equipe, e benefícios de saúde, entre outras melhorias.

No entanto, tiveram perguntas sobre esse anúncio que ficaram sem resposta. Os GMs da liga realmente gastarão tanto com os salários das jogadorss, já que não houve relato de piso salarial? Quando o compromisso se transformará em um investimento real? E, o mais importante, ainda acontecerá se os membros da PWHPA não ingressarem na liga?

É esse tipo de pergunta que deixa as jogadoras da PWHPA desconfiadas da liderança da PHF. A PHF disse que essas preocupações são do antigo regime, quando Dani Rylan era comissária da antiga NWHL, mas ainda há exemplos recentes de falta de transparência e preocupações acerca do profissionalismo da liga.

A final da Isobel Cup da PHF foi disputada em Tampa, no dia 29 de março. Os ingressos eram gratuitos. E a MVP do jogo, Taylor Wenczkowski, recebeu US$1.000 em cartões-presente da DICK’S Sporting Goods, uma das marcas patrocinadoras do jogo, em vez de um bônus em dinheiro. Outros bônus de desempenho em potencial não foram divulgados.

PWHPA decide seguir com planos futuros para o hóquei feminino sem a PHF
Reprodução/PHF

Antes, houve o estouro da bolha do Lake Placid que a comissária Tyler Tumminia chamou de sucesso, apesar de um grande número de jogadoras da liga terem contraído COVID-19. Além da rápida demissão de Alex Sinatra, diretora executiva da associação de jogadores da PHF, que estava na equipe há apenas algumas semanas e que ainda não foi substituída. E a notícia de que Tumminia deixará o cargo ao final da temporada, menos de um ano depois de ser nomeada comissária.

Embora tenha havido certo progresso, também houve alguma disfunção que transformou as jogadoras em potenciais céticas em relação à capacidade do PHF de prosperar a longo prazo. Tudo isso levou a PWHPA a decidir trabalhar para atingir seus objetivos com algo novo.

Existem alguns fatores complicadores na tentativa de prever o que acontecerá a seguir no cenário profissional do hóquei feminino. Por um lado, não sabemos se e quando a PWHPA confirmará seus planos e quando uma nova liga pode surgir. Poucas pessoas estão dispostas a divulgar detalhes ou uma linha do tempo – embora o The Athletic tenha tentado ver como poderia ser no mês passado. Mas sabe-se que o grupo acredita ter os elementos necessários (jogadoras e potenciais parceiros) para executar um plano sustentável que possa fornecer às atletas o que desejam desde o primeiro dia.

É necessário, também, levar a própria PHF em consideração. A liga tem sido eficaz na contratação de jogadoras que abandonam o PWHPA nos últimos anos, embora nunca as jogadoras de primeira linha. Com a confirmação de que os dois lados não trabalharão juntos no futuro, o grupo ampliará esses esforços com suas estruturas salariais atualizadas? Por outro lado, se a PWHPA anunciar uma liga com alta competição e salários competitivos, as jogadoras da PHF procurarão oportunidades em uma nova liga?

Embora estas duas ligas concorrentes pareçam há muito tempo o pior cenário – terão desafios que vêm de duas entidades competindo por atenção e dinheiro dos fãs – é possível enxergar alguns benefícios nisso: mais notoriedade, mais opções e mais oportunidades para as jogadoras permanecerem no esporte.

Os responsáveis pela PWHPA têm sido inflexíveis ao dizer que não estão lutando pela existência de apenas uma liga. Ter duas ligas forneceria um ecossistema para o hóquei feminino na América do Norte, assim como existem várias ligas para os homens. Uma única liga significaria menos oportunidades para as mulheres continuarem jogando depois da faculdade.

“Essa é a última coisa que estamos tentando fazer”, disse Jayna Hefford, consultora-chefe da PHWPA, ao The Athletic em março. “Nós só queremos uma liga que realmente apoie as mulheres de uma maneira que elas possam ser jogadoras de hóquei em tempo integral”.

 

Esta é uma tradução adaptada. Para ler o original, clique aqui.

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