Isles

New York Islanders: O que o futuro reserva?

O New York Islanders surpreendeu novamente. A equipe de Long Island teve uma sólida corrida nos playoffs da Stanley Cup, derrotando Florida Panthers, Washington Capitals e Philadelphia Flyers, para chegar às finais de Conferência, onde foi batida pela forte equipe do Tampa Bay Lightning em 6 jogos. 

A equipe mostrou um estilo de jogo organizado e muito bem treinado pelo excelente Barry Trotz. No entanto, enquanto a equipe avançava, algumas limitações ficavam evidentes, levantando algumas questões e gerando comparações com a equipe do Ottawa Senators de 2017, que até hoje é muito lembrada pela sua trap defensiva e seu jogo baseado totalmente nos erros do adversário. 

Os Islanders executaram e muito bem suas táticas de contra-ataque diante dos Panthers e dos Capitals, exercendo um certo domínio defensivo sobre ambas as equipes. Na série diante dos Flyers, vimos a equipe abrir uma boa vantagem e acabar cedendo o empate na série, que seria fechada em um jogo 7 onde os Isles não tiveram dificuldades. 

Com exceção da goleada sofrida por 8×2 diante do Lightning, a equipe de Long Island deu trabalho, tendo atuado melhor que a equipe da Flórida em ao menos 2 jogos da série, apesar das derrotas. No fim, os Isles ainda buscaram duas vitórias, mas acabaram derrotados na prorrogação do jogo 6 e deram adeus a corrida pela Stanley Cup. O foco deste texto não é falar sobre a campanha dos Isles nos Playoffs e quem fez o que, mas sim trazer a discussão sobre as medidas que a equipe precisa tomar na sequência. Então, vamos nessa!

O que esperar da franquia para o futuro?

Bem, os Islanders vem sofrendo com questões não apenas no gelo, como a perda de seu capitão em 2018, mas também fora dele, como o fato de praticamente não ter uma casa para jogar, o que jogou a média de público da franquia lá embaixo, entre as piores médias de público dos últimos anos. Após muitas negociações, a equipe conseguiu a aprovação e sua nova arena – UBS Arena – ficará pronta para o início da temporada 2021-2022, o que causará um grande impacto financeiro na região e também para a franquia, que ficará de vez perto de sua torcida. 

Foto: Reprodução / NHL.com
Mas por que isso é importante para o futuro da franquia?

Apesar de estar localizado em um grande mercado, a franquia de Long Island fechou no azul em apenas uma temporada, desde 2005. Apesar da fortuna dos donos, ninguém gosta de perder dezenas de milhões de dólares, não é mesmo? Com sua nova arena, os Islanders buscam aumentar consideravelmente suas receitas, gerando maior estabilidade para a saúde financeira da franquia e possibilitando grandes investimentos em jogadores em um futuro próximo, gerando maior atração no mercado de Free Agency, livre de preocupações com estruturas salariais. 

Offseason importante

Agora que já falamos da parte financeira e estrutural da franquia, bora falar desse elenco e o que pode acontecer nesta offseason?

Com a pandemia do COVID-19 e a perda de receitas que a liga sofreu, o salary cap (teto salarial) ficou congelado para essa próxima temporada e para os Isles isso complicou ainda mais um cenário que já não era bom. 

No momento, a equipe possui 8,9 milhões de dólares de espaço e um total de oito jogadores em fim de contrato, incluindo a jovem estrela Mathew Barzal. A lista de jogadores sem contrato é a seguinte:

– Mathew Barzal (RFA)
– Ryan Pulock (RFA)
– Devon Toews (RFA)

Estes três jogadores têm seus direitos ligados aos Islanders e só podem sair mediante troca ou então ao receberem uma offersheet, uma oferta contratual carregada de uma compensação para a equipe que perderia o jogador. As compensações são definidas de acordo com o salário oferecido ao jogador e a equipe que detém seus direitos, sempre tem a prioridade de cobrir a oferta e manter o jogador. É um mecanismo pouquíssimo usado na liga, porém que voltou a ser usado na última temporada no caso de Sebastian Aho, dos Hurricanes. Abaixo, uma lista das compensações que uma equipe pode receber em uma offersheet, de acordo com a média salarial do jogador:

Além destes, outros cinco jogadores estão em fim de contrato e estes são UFA (agentes livres irrestritos), o que significa que podem assinar com qualquer equipe a partir do dia 9 de Outubro, período que abre a Free Agency da NHL. Os jogadores são:

– Matt Martin
– Tom Kuhnhackl
– Derick Brassard
– Andy Greene
– Thomas Greiss

É certo que alguns UFAs não terão seus contratos renovados, a fim de manter o espaço intacto para a renovação com Barzal, que a princípio, acredita-se que irá consumir uma grande parte deste espaço. Falaremos disso adiante! 

Foto: Bruce Bennett/Getty Images

Aqui, Lou Lamiorello precisará trabalhar para tentar convencer Barzal e seus agentes a aceitarem um bridge, contrato de menor duração e um valor mais “simpático” a situação da equipe. Exemplos, foram os contratos de Matthew Tkachuk dos Flames, Patrik Laine dos Jets e Brayden Point do Lightning. Supondo que Barzal aceite, seria algo como 2 ou 3 anos, com valores entre 6,5M e 7,5M. Caso o jogador não abra mão de seu contrato longo, é possível que os Islanders tenham que desembolsar no mínimo 8,5M/9M de dólares por temporada, por 8 anos. 

Com grande parte do espaço tomado pelo contrato de Barzal, os Isles precisarão mover alguma peça para encaixar as renovações de Pulock e Toews, que devem acontecer. 

Com o cap congelado, mover contratos ruins tornou-se uma tarefa muito difícil nesta temporada, portanto é difícil crer que alguém estaria disposto a pegar o contrato horrível de Andrew Ladd, que aliviaria a situação dos Isles. Enviar Ladd para a AHL ou dar um buyout neste estágio também não seria de grande ajuda. Com isso, Casey Cizikas pode se tornar a peça a ser movida para que as renovações de Pulock e Toews aconteça, uma vez que o jogador está em seu último ano de contrato e o seus 3,35M são um bom valor, agregados a boa produção do central no gelo. 

Vocês podem estar se perguntando: Mas e Clutterbuck e Komarov? 

Bem, esses seriam os contratos mais óbvios a serem movidos, no entanto, ambos os jogadores têm mais 2 anos de contrato, com valores um pouco salgados para o que produzem no gelo hoje (3,5M e 3M respectivamente). É possível mover, mas os Islanders fatalmente teriam que até pagar uma equipe com escolhas de draft para absorverem esses contratos ou então reter parte dos salários, como por exemplo 1M em cada contrato. Não é o ideal, mas na situação atual da equipe, já seria de grande ajuda. 

Ryan Pulock assinou seu bridge em 2018, aceitando 2M de dólares por 2 anos e ao manter sua boa produção e consistência, pode ser um contrato complicado para se renovar, uma vez que a título de comparação, Jonas Brodin acaba de renovar com o Wild por 7M por temporada. As projeções apontam um contrato na casa dos 6M para Pulock, com um termo que pode variar de 5 anos a 7 anos. 

Devon Toews após assinar um contrato de 2 anos no valor de 700 mil anuais, deve passar para a casa dos 2M anuais em seu próximo contrato agora, o que em uma situação normal, não seria problema. Em uma situação normal…

Voltando a falar dos UFAs, somente contratos mínimos ou que passem em no máximo 200 mil dólares do valor mínimo seriam viáveis para os Islanders. Hoje, é difícil ver Brassard, após uma temporada razoável e Matt Martin aceitando acordos assim, mas a possibilidade existe, não é?! Kuhnhackl por outro lado é um jogador que vem de uma sequência de contratos mínimos ou próximo a isso e parece ter encontrado seu lugar na NHL entre as linhas 3 e 4. Portanto, é um nome que poderemos ver de volta com a camisa dos Islanders, caso os valores permaneçam similares.

Andy Greene é um nome que surpreenderia e muito este que vos escreve, caso retornasse a equipe. Vindo em uma troca com os Devils, Greene foi uma adição feita pela equipe visando 100% os playoffs, o famoso rental. Aos 37 anos, ainda não se sabe se o veterano continuará a atuar na NHL, mas certamente sua experiência seria muito bem vinda em algumas equipes.

Por último, talvez a única certeza desta lista: Thomas Greiss

O consistente backup dos Isles fatalmente irá para o mercado e acabará em uma outra equipe, muito por conta da chegada da jovem promessa russa Ilya Sorokin, cotado para assumir as redes dos Islanders após o fim do contrato de Semyon Varlamov. O mercado para bons backups como Greiss é sempre muito aquecido e não surpreenderia se o goleiro alemão recebe ofertas na casa dos 2M. 

O que fazer?

Neste ponto do texto, já deu pra perceber que os Isles não se encontram em uma posição muito favorável para esta offseason, certo? Então, o que fazer? 

Bem, lembrando que este é um texto opinativo, a melhor solução para a equipe é focar na manutenção deste elenco atual, dando total prioridade as renovações de Barzal e Pulock, mesmo que isso signifique trocar Devon Toews. Os Islanders não podem em hipótese alguma acharem que são contenders neste momento e partirem para um all in, realizando alguma troca mirabolante, como foi o caso do Senators em 2017 e bem, todos vimos no que deu, não é?

A paciência será uma grande aliada dos Islanders nesta sequência, lembrando que em 2 anos contratos como o de Boychuck (6M), Leddy (5,5M) terminam, Ladd estará em seu último ano, o que torna mais fácil mover e o cap, assim esperamos, irá aumentar um pouco. O foco para a equipe de Long Island agora seria desenvolver um pouco melhor os jovens jogadores e ver até onde dá para ir chegando dessa forma, mesmo que isso custe um tempo valioso para jogadores como Eberle, Nelson e Bailey. Sobre estes jogadores, mesmo que possuam NTC (cláusula de “não-troca”) , é válido tentar sentar e conversar com alguns deles, para saber se abririam mão da cláusula e aceitariam ser trocados para algum bom time, a fim de aliviar a situação financeira da equipe nos anos seguintes. 

Uma dica que deixo aos torcedores dos Islanders neste momento é: Cautela! É melhor ter um ou dois anos medianos agora, do que fazer movimentos arriscados e comprometer o futuro por pelo menos cinco anos, como estamos vendo na liga hoje em casos como o Ottawa Senators, Detroit Red Wings, San Jose Sharks. A equipe de Long Island não está nesse caminho, mas basta poucos passos errados para mudar totalmente a direção de uma franquia esportiva. 

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