Matt Dumba ajoelhou-se durante o hino nacional dos Estados Unidos no sábado, depois de prometer que a NHL e a Hockey Diversity Alliance lutarão contra o racismo e exigir justiça.

O defensor do Minnesota Wld discursou no rinque do Rogers Place, em Edmonton, antes do Edmonton Oilers encarar o Chicago Blackhawks no primeiro jogo da série de melhor de 5 nas Qualificatórias da Stanley Cup 2020.

Jogadores do Oilers e do Blackhawks cercaram Dumba, que é Filipo-Canadense, enquanto ele se pronunciava. Quando o hino dos Estados Unidos começou a tocar, Dumba se ajoelhou. Ao seu lado estavam também dois jogadores negros, o goleiro do Blackhawks Malcolm Subban e o também defensor Darnell Nurse, do Edmonton Oilers. Ambos ficaram ao lado de Dumba e puseram a mão em seus ombros, como gesto de apoio.

Durante esta pandemia, algo inesperado, porém, atrasado, ocorreu: O mundo acordou para o reconhecimento do racismo sistêmico e como isso está enraizado em nossa sociedade

“Racismo é uma criação humana e tudo o que o racismo faz é deteriorar nossa prosperidade coletiva. Racismo está por toda parte e é por isso precisamos ativamente lutar contra isso. Em nome da NHL e da Hockey Diversity Alliance, prometemos defender a justiça e lutar pelo que é certo. Como minoria que joga hockey, sei o desafio inexplicável e difícil que vem com a Hockey Diversity Alliance e a NHL para que as crianças se sintam seguras, confortáveis ​​e sem preocupações toda vez que entrarem em uma arena. Estou na frente hoje em nome desses grupos e prometo que lutaremos contra a injustiça. Dumba vestiu um casaco preto com as iniciais do Hockey Diversity Alliances em letras brancas. A aliança, composta por um grupo de jogadores e ex-jogadores, foi formado em Junho com a missão de erradicar o racismo e a intolerância no hockey. Ele terminou seu discurso dizendo “Black Lives Matter” e relembrando o assassinato de Breonna Taylor, uma técnica médica de emergência negra que foi morta a tiros pela polícia que invadiu seu apartamento em Louisville, Kentucky, em 23 de junho. Ele ainda acrescentou: “O hockey é um ótimo jogo, mas poderia ser muito maior e começa com todos nós “.

 

Dumba refletiu sobre seu discurso horas depois, após o treino do Wild em preparação para enfrentar o Vancouver Canucks neste domingo (às 23:00 na ESPN BR)

“Ainda não sei se percebo a magnitude de tudo e a quantidade de pessoas com quem conversei”, disse ele. “Obviamente, foi um momento um pouco diferente na arena, não ter fãs por lá e apenas ter jogadores de outras equipes ou GMs olhando para mim comigo no centro, com um holofote. Foi um pouco difícil de entender.  Tenho certeza que essa foi a maior e melhor forma de passar a mensagem e estou agradecido que as pessoas possam me ouvir.”

Ele também agradeceu por ter passado por essa experiência pois “(Eu) estava muito nervoso, meio que senti como um lutador indo para o tatame ou algo do tipo. Até pareceu o meu primeiro jogo de playoffs, para entender o tamanho do meu nervosismo.”

O defensor praticou seu discurso repetidamente no túnel da arena por 20 minutos antes do jogo. Ele escreveu o discurso em cartões que estavam em seu casaco, mas ele não queria usá-los.

Alex Galchenyuk e Jonas Brodin, companheiros de equipe, mantiveram companhia a Dumba no túnel enquanto ele praticava.

“Acho que [Galchenyuk] disse antes, ‘Irmão, se você arrasar hoje, se fizer isso, você estará pronto para amanhã” Dumba disse. “Estou contente que pude fazer aquilo, e ter os resultados e o impacto que eu fiz. Espero ter plantado uma semente nas próximas gerações futuras e para as pessoas refletirem sobre o que eu disse.”

O ex-jogador do Tampa Bay Lightning JT Brown, que levantou seu punho para protestar contra a brutalidade policial enquanto o hino dos EUA tocava em um jogo contra o Florida Panthers ocorrido no dia 23 de outubro de 2017, disse que se comoveu pelas palavras e atitudes de Dumba no sábado.

“Eu achei que foi um discurso muito poderoso. Achei que foi comovente,” disse Brown, que joga na afiliada do Wild na AHL, Iowa wild. “Um sinal verdadeiro de apoio, eu achei muito legal. Ter as mãos de Subban e Nurse ao lado, foi bom para demonstrar o suporte e principalmente reconhecer o que ele estava fazendo e demonstrou o quão bravo foi fazer isso e falar em um nível nacional.

Vários jogadores e treinadores da NHL elogiaram Dumba por suas palavras e postura no sábado.

“O que Dumba fez hoje foi incrivelmente poderoso, foi excelente”, disse Morgan Rielly, defensor do Toronto Maple Leafs. “Como jogadores da Liga, nós apenas queremos dar-lhe apoio.”

O técnico do Maple Leafs, Sheldon Keefe, disse que o discurso de Dumba “foi fantástico e tão bem feito em tempos difíceis”.

“Ser capaz de articular uma mensagem como essa foi realmente bom”, disse Keefe. “Mas temos que acompanhar as ações para ter progresso”.

A NHL abriu as qualificatórias da Stanley Cup 2020 no sábado com uma mensagem alta e clara: We Skate For Black Lives. (Nós patinamos por Vidas Negras)

“We Skate For Black Lives” e “We Skate for Equality” (Nós patimanos por igualdade) apareceram no placar e nas telas de Rogers Place durante uma cerimônia antes do jogo Oilers-Blackhawks.

A cerimônia de pré-jogo deu início à saudação da NHL para ativistas da justiça racial e profissionais de saúde na linha de frente da pandemia de coronavírus durante as Qualificatórias e dos Playoffs da Copa Stanley.

Como parte da iniciativa #WeSkateFor da NHL, todas as 32 equipes e jogadores irão homenagear e celebrar heróis da comunidade, profissionais de saúde e ativistas da justiça racial por meio de vários programas e atividades locais e nacionais, incluindo campanhas de doação de caridade, campanhas de mídia social e o uso da hashtag #WeSkateFor.

Os jogadores usavam adesivos de capacete #WeSkateFor Equality em apoio ao Black Lives Matter e outros movimentos de justiça social. Eles também receberam um capuz para personalizar com o nome de quem ou para o que ele patina.

O comissário da NHL, Gary Bettman, em uma mensagem aos fãs do NHL.com, disse que o assassinato de George Floyd, um homem negro que morreu sob custódia da polícia de Minneapolis em 25 de maio, e a “demanda que se seguiu por justiça e igualdade que inspiraram variamente os países, exigiram que aceitássemos que o que fizemos até esse ponto não é suficiente “.

“Portanto, devemos e faremos mais e seremos melhores para tornar nosso jogo um lugar acolhedor para todos”, disse Bettman.

Kim Davis, vice-presidente executivo sênior de impacto social da NHL, iniciativas de crescimento e assuntos legislativos, disse que os eventos de sábado fazem parte dos esforços da Liga e de seus jogadores para converter a comoção  da morte de Floyd em ações concretas de longo prazo.

“Não vamos simplesmente nos julgar com base nessa campanha nos próximos dias”, disse ela. “Estamos comprometidos com ações substantivas e de longo prazo, que são um trabalho árduo, que levam tempo, mas movem a agulha contra o racismo estrutural e individual e a desigualdade em nosso jogo”, disse ela.

A Liga ampliou sua mensagem de justiça e diversidade racial com um vídeo revelado antes do primeiro jogo do melhor de 5 entre os Montreal Canadiens e o Pittsburgh Penguins, em Toronto.

O vídeo mostrava imagens do atacante do San Jose Sharks, Evander Kane, co-chefe da Hockey Diversity Alliance, do atacante Ryan Reaves do Vegas Golden Knights, do defensor do Columbus Blue Jackets, Seth Jones, do defensor P.K Subban, do New Jersey Devils,  e outros jogadores da NHL negros.

Também mostrou o Toronto Maple Leafs vestindo camisetas do Black Lives Matters e jogadores individuais participando de manifestações em suas cidades após a morte de Floyd.

“No hockey, geralmente deixamos nosso esforço, determinação e paixão para vencer fazer a conversa”, disse o analista da NHL Network Kevin Weekes na narração do vídeo. “Mas quando um problema é maior que o jogo, precisamos falar, começando com três palavras, precisamos nos sentir confortáveis ​​dizendo: Black Lives Matter”.

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