Os novatos Alexis Lafreniere e K'Andre Miller, do New York Rangers

Jogadores novatos têm de se readaptar devido COVID-19

Se familiarizar com os novos colegas de equipe e com o estilo de vida na NHL tornou-se um desafio para os jogadores novatos por conta dos protocolos de vírus.

Josh Norris acha que ficando em casa, pelo menos, ele está agradando seus pais.

Em uma temporada normal, não afetada pelo COVID-19, e sem ter de usar máscara ou limitando a saída de casa, o jovem de 21 anos poderia estar passando noites fora de casa, curtindo a vida. Em vez disso, ele não tem saído. Por isso, novos hábitos vêm sido adquiridos, como o de ler. 

“Descobri que li muito mais este ano”, disse o atacante do Ottawa Senators. “Isso é bom para o cérebro. Especialmente antes de dormir. Isso me acalma e me prepara para uma boa noite de sono. Isso é, obviamente, algo bom. E eu sei que minha mãe fica feliz com isso.”

É fato que essa tem sido uma temporada difícil para todos na NHL. Contudo, há um grupo que foi especialmente afetado: os novatos.

Pode ser difícil para os novos jogadores fazerem a transição para a NHL. Agora, por causa das mudanças implementadas para evitar a propagação do coronavírus, os jogadores novatos têm menos chances de construir relacionamentos e vínculos com colegas de equipe e treinadores. Ao mesmo tempo, estão aprendendo a viver sozinhos em cidades onde muitas vezes não têm família ou amigos.

“Os lugares estão fechados e monitorados, o que acaba sendo difícil para criar os laços naturais que os jovens jogadores formam com seus companheiros de equipe, especialmente os calouros”, disse o técnico do New York Rangers, David Quinn.

O Rangers tem quatro rookies com tempo de jogo regular: os atacantes Alexis Lafreniere, a escolha nº 1 no Draft da NHL em 2020 e Julien Gauthier, o defensor K’Andre Miller e o goleiro Igor Shesterkin. Lafreniere e Miller fizeram sua estreia na NHL nesta temporada; Shesterkin e Gauthier jogaram 12 partidas cada um pelo New York na última temporada.

Sem poder sair, ter amizades se tornou algo difícil para os novatos

O maior culpado em prejudicar a experiência da criação de vínculos com outros colegas é a falta de tempo para saídas casuais, e a falta de possibilidade disso acontecer. Com regras criadas para evitar a propagação do vírus, as oportunidades naturais de sair, especialmente em hotéis durante as viagens, foram praticamente eliminadas.

Nas temporadas anteriores, os jogadores novatos costumavam se misturar com jogadores mais velhos através de atividades ou jantando na estrada. Contudo, agora existem distâncias obrigatórias, além de máscaras obrigatórias. Agora, qualquer interação é feita online, 

Como o técnico do New York Islanders, Barry Trotz, disse no início da temporada: “Acho que às vezes isso limita a naturalidade das conversas. Você raramente as possui, por conta das restrições. Às vezes essas conversas têm o maior valor. “

Por outro lado, grande parte desse vínculo é feita no gelo. 

“Quando você está no rinque, acho que você tem que aproveitar ao máximo e conversar entre si, especialmente os jovens, fazendo-os se sentirem confortáveis e sempre conversando”, disse o veterano atacante do Boston Bruins, Charlie Coyle. “O padrão aqui é que todos são tratados da mesma forma e precisamos que todos estejam no mesmo barco e se sentindo confortáveis para que possam sair e jogar o melhor que puderem.”

Às vezes, a menor das interações pode ter um impacto significativo.

“Algo tão pequeno quanto um cara mais velho puxando você de lado e apenas dando dicas sobre algo, ou apenas avisando para ficar confiante, apenas conversinhas como essa”, disse Norris. “Por fim, pequenas coisas como essas têm um longo caminho. É assim que você começa a criar relacionamentos.”

Norris, que marcou 11 pontos (quatro gols, sete assistências) em 20 jogos, disse que o veterano atacante Derek Stepan ocupou esse cargo nesta temporada.

Outras formas de interação

Os videogames também têm seu lugar no processo de socialização dessa geração.

“Não sou o maior fã de videogames, todavia acho que joguei mais este ano do que no anos anteriores”, disse o defensor estreante do Los Angeles Kings, Mikey Anderson. “É uma forma de me manter envolvido com alguns amigos em casa, jogar com alguns companheiros do time.”

O FaceTime também tem salvado muitas vidas, permitindo um senso de conexão. Além do aprendizado de algumas habilidades necessárias para adolescentes e jovens de 20 e poucos anos que vivem sozinhos pela primeira vez.

Liam Foudy, que teve três assistências em 12 jogos com o Columbus Blue Jackets antes de ser transferido para Cleveland da American Hockey League na sexta-feira (19), fará FaceTime com sua mãe enquanto ela o ajuda a fazer suas próprias refeições.

Enfim, como disse o jovem de 21 anos, “tem sido um processo de aprendizagem”.

Para ficarem menos solitários, jogadores novatos moram juntos

Para alguns, a solidão diminuiu por morar com companheiros de equipe, como Lafreniere e Miller. Norris e o atacante Brady Tkachuk, também de 21 anos, mas em sua terceira temporada na NHL, já planejavam morar juntos. Quando o atacante Tim Stutzle voltou de jogar pela Alemanha no Campeonato Mundial Júnior de 2021 da IIHF, o jovem de 19 anos foi também convidado.

“É ótimo, especialmente considerando tudo o que está acontecendo agora”, disse Norris. “É bom ter dois colegas de quarto quase da mesma idade. Nos divertimos em casa, jogamos videogame e deixamos as coisas à vontade.

“Não seria divertido morar sozinho ou ficar preso em um quarto de hotel. E não acho que isso seja bom para ninguém, especialmente mentalmente. Portanto, é ótimo ter alguns colegas de quarto.”

Esse também é o caso de Anderson, que está na segunda temporada vivendo com o atacante Blake Lizotte. O jogador de 21 anos disse que tem sido útil que muitos dos jovens jogadores do Kings se conheceram por meio de atividades organizadas para os prospectos, como acampamentos de desenvolvimento. 

Sete jogadores novatos disputaram pelo menos uma partida pelo Kings nesta temporada, empatando com o Dallas Stars e o New Jersey Devils em segundo lugar na NHL, atrás do Chicago Blackhawks (oito).

“É bom poder ir para casa e ter um rosto para conversar e não ficar completamente sozinho dia e noite”, disse Anderson, que fez quatro assistências e tem uma média de 21:24 de tempo de gelo em 17 jogos, e jogou na defesa com o veterano Drew Doughty. “Ter pelo menos alguém em casa comigo, com certeza faz os dias passarem mais rápido.”

As vezes, ficar sozinho é melhor

Contudo, isso não é para todos.

O estreante defensor do Colorado Avalanche, Bowen Byram, optou por se mudar do hotel em que estava no início da temporada e ir para um lugar só seu pela primeira vez, reconhecendo que mesmo com a solidão do ano passado ele estava animado.

“Você não tem muito com o que se preocupar”, disse o jovem de 19 anos, que conheceu alguns de seus novos companheiros de equipe enquanto servia como jogador extra do Avalanche durante os playoffs da Stanley Cup 2020. “Embora seja somente eu, eu e eu na maior parte do tempo, consigo ser capaz de me preocupar com o hóquei na maior parte. Além disso, me preocupar com meu jogo e a jogar. Acho que isso me ajudou um pouco.”

Byram tem duas assistências e tem uma média de 18:12 de tempo no gelo em 12 jogos, o sexto entre os defensores novatos da NHL que jogaram pelo menos 10 jogos.

No entanto, ele tem conversado com amigos durante seu tempo livre com ligações e bate-papos de videogame. Ele é próximo do atacante novato do Buffalo Sabres, Dylan Cozens, seu co-capitão com o Canadá no WJC 2020. Por fim, eles conversam com frequência, inclusive sobre o que estão passando nesta temporada.

A situação como forma força equalizadora

Alguns jogadores novatos veem a pandemia e os protocolos como uma força equalizadora. Embora nas temporadas anteriores eles pudessem estar um passo atrás de alguns de seus companheiros de equipe mais veteranos, nesta temporada esse não é necessariamente o caso.

“Todos nós estamos passando por isso juntos”, disse Foudy.

De certa forma, isso nivela o campo de jogo.

No entanto, há algumas coisas que esses novatos sentem falta de experimentar.

O rugido da multidão quando eles marcam seu primeiro gol na NHL? Amigos e familiares nas arquibancadas para a estreia? Não nesta temporada. A maioria fica em paz com as decepções, preferindo pensar em tudo o que se ganha.

“Eu ainda estava super animado, com certeza”, disse Cozens, que fez sua estreia na NHL em 14 de janeiro e marcou seu primeiro gol em 22 de janeiro contra o Washington Capitals. Ele marcou três pontos (dois gols, uma assistência) em 11 jogos.

“A única coisa que eu preferia provavelmente era minha família nas arenas. Todavia, fora isso, tipo, um gol é um gol. Está na NHL, haja torcedores ou não. Por fim, estar na liga que sonhei em jogar em toda a minha vida. “

Foto e matéria original: NHL.com

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