Patrice Bergeron

Bergeron diz que ou se aposenta ou retorna ao Bruins

Só existem duas opções para Patrice Bergeron: o capitão retorna ao Bruins ou se aposenta.

Questionado sobre a possibilidade de se ver em qualquer outro lugar, Bergeron disse, “Não. Eu estive aqui em toda a minha carreira. Obviamente, é um lugar especial para mim. Como falei, não é algo que esteja na minha mente e por agora, eu só preciso de um tempo para me reorganizar.”

O Bruins perdeu o jogo 7 da primeira rodada da Conferência Leste por 3-2 contra o Carolina Hurricanes, no dia 14 de maio, no que pode ter sido o último jogo do capitão com o time em que jogou por 18 temporadas. Bergeron se tornará um agente livre irrestrito e falou durante toda a temporada que esperaria a temporada do Bruins acabar, para decidir.

Essa decisão não será ir para outro time.

Mas como Bergeron falou nas entrevistas finais, no dia 17 de maio, ele ainda precisa tomar essa última decisão, mas ainda não tem certeza quanto tempo irá demorar e qual exatamente será.

“Eu não sei, para falar a verdade”, Bergeron disse. “Eu acho que preciso de mais tempo, só se passaram dois dias. Tudo que eu fiz até agora foi aproveitar a família em casa. Eu vou precisar de mais tempo, pensar sobre várias coisas e pensar na melhor decisão para mim e para a minha família.”

Bergeron, que está na última temporada do seu contrato de 8 anos, de 55 milhões de dólares, assinado em 12 de julho de 2013, fará 37 anos no dia 24 de julho. Ele é o jogador mais velho do Bruins, mas ainda assim fez 65 pontos (25 gols e 40 assistências) em 73 jogos. Ele é um dos finalistas do troféu Frank J. Selke, podendo quebrar um recorde se ganhá-lo pela quinta vez. O troféu Selke é o prêmio dado anualmente para o atacante que possui excelência nos aspectos defensivos do esporte e da NHL, votado pela Professional Hockey Writers’ Association (PHWA). O vencedor será anunciado durante as Finais de Conferência ou durante as Finais da Stanley Cup, como parte dos Prêmios de 2022 da NHL.

“O nível do jogo dele é o de um central nº 1 dessa liga”, disse o treinador Bruce Cassidy. “Nós vimos esse ano, ele concorrendo ao Selke. Ao meu ver, ele deveria vencer. Com todo respeito aos outros indicados, mas acho que ele teve mais um ótimo ano. Vamos ver o que vai acontecer.

“Ele é um ótimo jogador defensivo. Seja observando ele jogar, ou olhando as estatísticas, ele passa em tudo. Para o prêmio, um pouco mais de ataque tem sido necessário, como com todos os prêmios. Acho que ele manteve o ritmo nessa parte também. Para mim, como eu falei, ele está no topo de todas essas coisas.”

Bergeron disse que não recebeu um prazo do Bruins para tomar sua decisão.

“Obviamente é uma decisão familiar”, Bergeron disse. “É um tempo que preciso, eu quero tomar a decisão correta. Com relação ao time, eu sempre acreditei no que essa organização tem feito.

“Eles sempre fizeram questão de colocar o melhor time no gelo. Eu acredito que vão fazer o mesmo no futuro também. Então não me preocupo necessariamente com isso, e acho que existem vários jogadores ótimos nesse vestiário, muitos que estão voltando. Não é algo que me preocupa. É mais sobre tirar um tempo para tomar a decisão correta para mim e para a minha família.”

O legado de Patrice Bergeron para o Boston Bruins

Bergeron se manteve relativamente saudável e marcou um hat trick no final da temporada regular contra o Buffalo Sabres, no dia 28 de abril, o terceiro gol sendo o 400º da sua carreira na NHL. Ele tem 982 pontos (400 gols e 582 assistências) em 1.216 jogos. Em toda a história do Boston Bruins, ele está em terceiro lugar com relação ao número de jogos jogados, atrás de Ray Bourque (1.518) e Johnny Bucyk (1.436); em quarto lugar de gols marcados (Bucyk, 545; Phil Esposito, 459; Rick Middleton, 401); quarto lugar em assistências feitas (Bourque, 1.111; Bucyk, 794; Bobby Orr, 624); e quarto lugar em pontos (Bourque, 1.506; Bucyk, 1.339; Esposito, 1.012).

“Eu me sinto bem. Meu corpo está saudável”, Bergeron disse. “Só tem alguns… obviamente, neste ano eu tive o nariz quebrado e o cotovelo infeccionado, e tudo mais. Mas isso é apenas o de sempre, faz parte da rotina padrão da temporada. Fora isso, não tem nada a declarar.”

Os seus colegas de time esperavam tornar a decisão ainda mais fácil, para que o Bruins chegasse na Final da Stanley Cup, levar a taça, permitir que Bergeron chegasse ao topo, como o colega de time Mark Recchi pode fazer depois de ganharem a taça em 2011.

Não era para ser.

Brad Marchand e Patrice Bergeron nas Finais da Stanley Cup de 2011, em Vancouver. Foto: NHL/Reprodução.

 

Mas os mesmos colegas de time, em especial Brad Marchand, estão na esperança de conseguir ao menos mais uma chance de fazer acontecer. Marchand, que tem sido ala de Bergeron por mais de uma década, falou sobre o relacionamento que começou como algo estritamente profissional, até que se tornou amizade, uma relação que possivelmente transformou a carreira do ala esquerdo.

“Eu pude assistir um dos melhores do nosso esporte fazer o lance dele dentro e fora do gelo, além da forma como ele cuida de si próprio, treina e se prepara. O quanto ele se importa. E aí, nos tornamos bons amigos”, disse Marchand. “Eu devo muito a ele o que eu consegui realizar. Não só porque joguei na mesma linha que ele, mas por conta da ótima liderança e da pessoa incrível que ele é.

“Poder aprender dia após dia com um cara como esse, acho que eu não entendia direito o que significa e o quão importante é para os jogadores terem um cara como ele. Não só ele e Zdeno Chara (ex-capitão do Bruins), mas muitos dos caras que passaram pelo time. Isso pode ter um impacto gigantesco na sua carreira.”

Ele deu crédito a Bergeron — e também a Chara — no que diz respeito ao progresso de jogadores como Charlie McAvoy e David Pastrnak, sabendo o quanto os jogadores querem cumprir com as expectativas dele, além de impressioná-lo e não decepcioná-lo.

“Eu não poderia agradecer a ele o suficiente por tudo que ele fez”, Marchand acrescentou. “Incrível, um incrível colega de time, líder, capitão e amigo. Ele é uma pessoa especial.

“Perder o ‘Bergy’, independente de quando isso vier a acontecer, é um vazio que jamais vamos conseguir preencher.”

 

Este texto foi traduzido e adaptado, leia o original aqui.

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