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Brock McGillis e a luta para mudar a cultura homofóbica do hockey

Durante o mês de junho, nós do NHL Brasil pensamos muito sobre o que poderíamos fazer para celebrar o mês do orgulho LGBTQI+. Assim como fizemos no mês da mulher, queríamos uma coisa especial porque afinal, somos uma organização que valoriza a individualidade de cada um! Com isso, chegamos a uma pessoa muito especial que nos acolheu de braços abertos: o ex-jogador Brock McGillis.

Brock foi o primeiro jogador de hockey a se assumir gay para o público e se tornou um ativista não só pelos direitos da comunidade LGBTQI+ dentro e fora do hockey, mas como das minorias em geral. Ele se assumiu em 2016, seis anos após se aposentar devido à lesões. Ele foi goleiro na liga junior Ontario Hockey League, jogando pelos times Windsor Spifired e Sault Ste. Marie Greyhounds. Ele passou uma temporada no Kalamazoo Wings, da United Hockey League, antes de ir jogar na Holanda. Após voltar para o Canadá, Brock jogou por um ano na Universidade de Concórdia antes de se aposentar.

 

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Hoje, ele dedica o seu tempo a palestrar e conversar com membros da comunidade do hockey sobre questões LGBTQI+ e como trazer um ambiente mais saudável para dentro do esporte. Você pode encontrá-lo em seu site, Twitter ou Instagram.

Em uma entrevista exclusiva para o NHL Brasil, Brock falou um pouco mais sobre a sua vida pessoal, carreira no hockey e sobre o seu trabalho como ativista. Confira abaixo!


Luiza Vidal: Você pode nos contar um pouco sobre sua carreira no hóquei, como você soube que pertencia ao rinque de gelo e que queria jogar hóquei?

Brock McGillis: Sim. Então, eu cresci como um típico estereótipo de garoto canadense. Eu cresci no norte de Ontário, onde parece que está nevando por 10 meses por ano, e morava na mesma rua de uma arena.  Era uma pequena cidade fora de Sudbury, Ontário. Meu pai conhecia o gerente da Arena. Então, todos os dias depois da escola, eu ia para o rinque com meu equipamento, esperando que ninguém estivesse no gelo para que eu pudesse continuar lá. 

Eu iria lá mesmo quando as equipes tivessem gelo, esperando que um de seus goleiros não aparecesse para que eu pudesse jogar com eles. Dessa forma, eu passava todos os dias no gelo. Então, fiquei muito bom no hóquei. Assim, vou continuando, subindo para níveis superiores de hockey. Antes que eu percebesse, comecei a jogar na OHL, com o Windsor Spitfires e Sault Ste. Marie Greyhounds. 

Então, joguei profissionalmente em Kalamazoo, Michigan, e na Europa, na Holanda, no The Hague. Depois disso, por causa de algumas lesões, eu saí. E eu fui para a universidade em Concordia em Montreal, e joguei no time de hóquei da universidade lá.

Luiza: Isso é muito legal. Eu acho que cada canadense pode se identificar com a sua história. Tipo, eu sinto que todos os jogadores que entrevistamos, estivemos com Victoria Bach, com Saroya Tinker. Todas elas disseram a mesma coisa, que elas cresceram em uma casa típica canadense com o hóquei. Isso é muito legal. E agora passando para a parte sobre sua vida pessoal e sua sexualidade, é mais o que vamos falar aqui. Quando você soube que era gay e se identificou? Como foi para você?

Brock: Então, eu me lembro de ter seis anos e estava assistindo a um filme com meus pais e havia um personagem gay. E eu disse “e se eu for gay?” e eles disseram “se você é gay, você é gay. Você é o Brock. Nós te amamos “. 

Tenho quase certeza de que fui para o meu quarto e chorei. Mas sempre soube, exceto que isso estava no fundo da minha mente, porque crescer como jogador de hóquei e ser muito bom no hóquei, toda a minha identidade era relacionada ao hóquei.  Se eu visse meus familiares, eles me perguntavam sobre hóquei. Se eu visse os pais dos meus amigos, eles me perguntavam sobre hóquei. Sempre foi sobre hóquei. Então, eu foquei só nisso. À medida que fui ficando um pouco mais velho, avancei para os níveis juniores e profissionais e comecei a pensar mais sobre a minha sexualidade. E ficou difícil porque eu tinha medo do hóquei, já que o hóquei masculino, em particular, não é necessariamente um espaço seguro para uma pessoa LGBTQ +. 

No vestiário, no gelo, há muita linguagem homofóbica. Há muitos problemas diferentes. Então, fiquei com medo de ser eu mesmo e comecei a me ressentir e a não querer ser eu. Então, escondi. Tornei-me o estereótipo de um jogador hiper masculino. Eu já tive vergonha de admitir isso, mas eu era um mulherengo. Eu era todos os estereótipos que você ouve de atletas profissionais masculinos, e eu mesmo odiava. 

Sabe, eu queria morrer. E mais de uma vez tentei, tendo uma vida nada saudável. Eu não dormia, bebia muito, estava constantemente me entorpecendo com o álcool. Eu estava realmente deprimido.  Finalmente, quando eu tinha 23 anos, quando estava dormindo na Europa…. E eu me sentei um dia. E eu apenas disse, você precisa entender isso porque eu sabia que duas coisas poderiam acontecer: se eu não descobrisse o que estava acontecendo, a minha carreira no hóquei iria acabar. E dois, mais importante, provavelmente, se continuasse seguindo o mesmo caminho, provavelmente acabaria morto.  Então foi quando eu voltei daquela temporada, fui para Toronto e tive um encontro com um cara. E eu disse, ok, você é gay.

Luiza: E você acha que todo esse passado que você teve que passar para aceitar quem você é influenciou na sua decisão de ser tornar um defensor dessa causa e de falar sobre isso e se assumir publicamente?

Brock: Sim. Eu penso que sim. Porque eu só me assumi depois de alguns anos. Eu tinha 23 anos quando comecei a namorar homens, e me assumi gay publicamente acho que eu já tinha 33 anos. Então foram 10 anos depois.  Naquele tempo, havia diferentes etapas para isso. Primeiro, eu precisava me aceitar, me amar, e então me assumir para a minha família e para pessoas fora do hóquei e depois me assumir para o mundo do hóquei. Mas o hóquei foi a última fronteira, o lugar mais difícil para me assumir. Os esportes profissionais de equipes masculinas ainda não são um espaço seguro. E eu lutei com isso. Mas então comecei a pensar como, sabe, algumas pessoas usaram minha sexualidade contra mim quando começaram a descobrir.

Comecei a pensar  “Se isso está acontecendo comigo e eu passei por toda a luta, provavelmente está acontecendo com outras pessoas” e se eu não usar minha voz quando posso, então outras pessoas, que estão atrás de mim, também estão se machucando. Então eu decidi me assumir publicamente para me fortalecer e esperei ajudar algumas pessoas. E então isso meio que mudou minha vida para sempre. E se tornou meu trabalho e tornou-se minha paixão, tornou-se meu todos os dias. Eu acho que não percebi que me tornei um ativista em tempo integral, mesmo me assumindo, porque, tipo, eu não sabia que alguém se importaria.  Então, as pessoas se importaram.  Crianças começaram a vir até mim. Adultos, que também estavam lutando com isso, vieram até mim. E eu estava em minha própria bolha, onde tive meus amigos gays e depois meu pessoal do hóquei. Eu não vi o mundo ainda. E a luta que as pessoas queer estão tendo. E então, uma vez que eu fiz, eu disse, espere, tenho que fazer mais. E foi assim que tudo começou. E então comecei a ter oportunidades de falar e fazer mais. E eu simplesmente não conseguia parar. E eu não parei.

Nathália Caldeira: Já que você se assumiu em 2016, teve algum momento da sua vida antes de 2016 em que você quis fazer isso, porém acabou desistindo? Você não estava pronto para isso?

Brock: Oh, sim. Quer dizer, tipo, eu deveria ter me assumir quando tinha 15 anos. Eu gostaria de ter feito isso. Tenho uma família que me apoiou e é solidária. Meu maior medo, para ser sincero, foi por conta da minha família estar muito envolvida com o hóquei. 

Meu pai foi treinado no hóquei júnior e foi olheiro na OHL. Meu irmão foi escolhido no primeiro round da OHL e jogou profissionalmente, e fiquei com medo que eles se tornassem mais sensíveis à linguagem usada nos vestiários porque agora seria algo humanizado para eles e eles teriam de  enfrentar isso. No processo, para mim, isso colocaria em risco qualquer chance de avançar no esporte. Então, eu queria falar antes isso para algumas pessoas em quem eu realmente confiasse na minha vida. Mas na maior parte do tempo eu estava com tanto medo de que isso arruinasse minha carreira no hóquei, que eu não consegui. Eu consegui sair com alguém por três anos sem uma alma da minha vida saber e até mesmo com os amigos dele, como naquela época, nós tínhamos um pseudônimo para que eles não me encontrassem nas redes sociais e tomassem conhecimento de quem eu era e me tirassem do armário.

Sempre houve esse medo. Mas, ao mesmo tempo, queria [ter feito isso antes] porque eu tenho uma família que me apoiaria e daria os recursos necessários para ser feliz e saudável. Eu queria ter me assumido antes, tem momentos que eu queria ter feito isso.

Nathália: Como você lida com a homofobia e o ódio? E o que você faz para não desistir da luta?

Brock: Tento pensar que… Assim, existe homofobia e ódio. E sejam pessoas na Internet ou pessoas me enviando ameaças de morte ou qualquer outra coisa, eu fiquei tão insensível a tudo isso que realmente não me abate. 

É estranho. Mas eu me lembro de uma vez que perguntei a alguém “por que você me chama desses nomes? Você nunca me conheceu. Você não me conhece. Por que você faz isso?”. Então, é como se a guarda da outra pessoa tivesse abaixado, e ela me disse que seus pais falavam isso para ela quando criança, e que ela não sabia porque fazia isso [mandava ódio]. Eu empre penso nessa história quando recebo ódio, porque não sei o que essa outra pessoa está passando na vida que está projetando em mim. E procuro ter empatia e simpatia pela pessoa que pode estar passando por alguma coisa. 

Eu tolero isso? Absolutamente não. Mas, ao mesmo tempo, estou bem. Eu tenho uma pele grossa o suficiente neste momento, que eu posso suportar isso. Se eu puder ter uma conversa com essa pessoa e mudar isso, talvez eles não façam isso com outra pessoa que não lide bem com isso.  Ou talvez, se tiverem filhos, parem de pregar esse tipo de ódio anti-LGBTQ + que faz com que seus filhos não tratem mal as outras crianças. E para mim, quanto mais conversas eu tenho, quanto mais [ódio] eu recebo, menos pessoas têm que assumir esse fardo. 

Estou em uma posição privilegiada onde posso me dar ao luxo de fazer terapia e superar todo o ódio que recebo. Eu sou um homem cis branco com aparência masculina. Isso traz muitos privilégios. Não preciso suportar as interseções de traumas adicionais que outras pessoas precisam. Então, se eu puder tirar um pouco desse fardo de outras pessoas e lidar com isso, então está tudo bem.

Nathália: A NHL poderia ser muito melhor na inclusão. E eu acho que essa é uma opinião que todos nós temos. Na sua opinião, como eles poderiam se tornar mais inclusivos? E como eles poderiam tornar o espaço do hockey mais seguro para os jogadores que possivelmente estão na comunidade LGBT de se assumirem? 

Brock: Aqui está meu dilema, com a NHL, com o hóquei e com a maioria dos esportes de equipe masculinos. Eles fazem todas essas coisas como noites de orgulho e arco-íris. Isso dá a ilusão de que as coisas estão bem. E então eu acho que, na verdade, isso faz mais mal do que bem a longo prazo, porque estudos mostraram que isso realmente não muda a cultura. Assim, existem estudos que nos mostraram que isso não está realmente afetando a cultura dos vestiários. 

 

Então, para as pessoas que não querem lidar com isso e não querem se sentir incomodadas falando sobre a homofobia no esporte, elas dizem “Bem, olha, nós temos noites de orgulho”. É como se você colocasse o arco-íris em tudo para um aquecimento e somente em uma noite fosse erradicar a homofobia. Pessoalmente eu gostaria que eles parassem com isso. Eu falo que é como comemorar e ter o desfile da Stanley Cup antes mesmo da temporada ter começado. Eles ainda não fizeram o trabalho de verdade para comemorar.

Se você vai celebrar o orgulho, faça o trabalho para mudar sua cultura. Eles precisam humanizar essa questão para os jogadores. Na maioria dos esportes, o hóquei é único. Eu acho que o futebol é a mesma coisa, em algumas áreas, onde é incrivelmente isolado, com uma cultura muito única.

O hóquei na América do Norte é provavelmente o esporte mais isolado, no sentido de que muitos esportes são praticados na escola, enquanto o hóquei é praticado em arenas, certo?  Então, todos os outros esportes, o time de futebol, time de basquete, time de vôlei. Os jogadores dividem o vestiário. Eles podem vir de diferentes estilos de vida. Eles estão compartilhando as quadras ou os campos com as equipes femininas e as equipes masculinas. Ainda existem professores e acadêmicos como parte dessas equipes. Ainda há pessoas na escola com alianças entre gays e heterossexuais. Você tem filhos que querem cursar o ensino superior, que estão na escola, fazem parte de clubes diferentes. 

O hóquei geralmente é em uma arena, mesmo que seja um time do ensino médio, eles ainda não estão na escola. Eles são separados por gênero e, normalmente, por idade. E então eles geralmente têm um coach que vem da mesma cultura que os está influenciando.  Isso apenas perpetua os mesmos comportamentos, continuamente. E porque são 6, 7 dias por semana. A partir dos 8 anos de idade até os 16, eles se mudam de casa. Não acontece muito em outros esportes. Os times de futebol fazem um pouco disso, eu acho. Mas na América do Norte, acredito que seja o único esporte que faz isso. 

Então, eles se mudaram de casa e agora estão passando sete dias por semana com seus companheiros de equipe, todos vindos de uma cultura semelhante e de outras cidades. E agora eles estão passando todos os dias juntos nessas novas cidades, então eles vão para casa no verão. Todos os seus amigos são jogadores de hóquei. Eles passam todos os dias com eles, crescendo. Então, eles passam todo o tempo treinando com eles. Eles estão sempre com jogadores de hóquei e se presume que todo mundo seja hétero, especialmente lá dentro. E 95%, se não for mais, é branco, e é tipicamente de classe média alta.  Portanto, não há muita exposição à diversidade de forma alguma. O que significa que, para que eles sejam expostos à diversidade, é preciso que seja feito através das equipes, para que possamos desenvolver o esporte, se tornar mais inclusivo para que outras pessoas se sintam parte do esporte. 

Então eu acho que a Liga, os times, a NHLPA precisam humanizar essas questões. Eu me voluntariei para as equipes, para falar com eles e compartilhar minhas experiências. Aí podemos ter acadêmicos que estudam essas coisas, que possam montar aulas sobre isso para os jogadores, e a partir daí, eles estarão mais receptivos e dispostos a olhar para isso. Não podemos simplesmente forçar a educação às pessoas que não são receptivas a ela. Então a gente precisa humanizar o assunto, depois educar e depois ensinar se quiserem falar sobre esses assuntos. Porque não ensinam como fazer e não existe manual nem nada. Dessa forma, os grupos vão falar com eles apenas, dizendo “Oh, você não pode dizer isso” ao invés de “não, você pode dizer isso [no lugar disso]” ou o porquê você não pode dizer certas coisas. Eles não estão aprendendo isso. Então, eu acho que temos que fazer um trabalho melhor de humanização e educação para que seja um espaço seguro para que a cultura mude. Somente assim será possível comemorar.

Ana Gabriela Ilha Kalil: Você falou em conversar com as equipes. Eu queria saber como foi a experiência de trabalhar com os Maple Leafs sobre homofobia e se outras equipes entraram em contato com isso ou não?

Brock: Então, trabalhar com o Leafs foi muito bom. Nós fizemos uma sessão de uma hora em que falei para treinar scouts, o pessoal da frente da NHL até seus afiliados da Costa Leste.  Infelizmente, os jogadores não fizeram parte. E isso é algo que eu prefiro fazer pessoalmente, mas foi por Zoom por causa do COVID. Uma outra equipe entrou em contato recentemente comigo, com a qual estou falando sobre potencialmente fazer algo com eles. Espero que isso aconteça. E [a experiência com o Leafs] foi realmente impactante.

Acho que a pessoa que organizou tudo me disse depois que ela recebeu muitos textos e e-mails de pessoas dentro da organização com quem conversamos por mais de uma hora, porém tínhamos que encerrar. Mas eu estava disposto e as pessoas só queriam fazer mais perguntas, eles queriam se envolver mais. Acho que as pessoas querem aprender. Eles simplesmente não sabem o que perguntar.  Eles normalmente não se sentem seguros o suficiente para fazer essas perguntas, por medo de errar. Eles [têm medo de] dizerem algo errado, então eles não perguntam. Mas, neste cenário era seguro. Você pode errar, eu não me importo! Eu prefiro que errem comigo, para então podermos trabalhar nisso, ao invés de sair na sociedade e errar com outros, tornando isso um problema. [A experiência] foi muito boa e as pessoas foram muito receptivas.

Ana Gabriela: Como você disse antes, você também jogou na Holanda no The Hague e foi antes de você se assumir gay. Você sentiu alguma diferença importante entre as ligas, não apenas no jogo, mas em como assuntos como a comunidade LGBTQ+ eram tratados?

Brock: Impressionantemente, achei muito parecido e não achei que seria. Mas eu sinto que a cultura do hóquei é muito forte [em qualquer lugar]. Quer dizer, [a Holanda] é um lugar inclusivo, mas descobri que a linguagem e os comportamentos dentro da cultura [do hockey] imitam e é quase como na América do Norte. Acho que é influenciado por várias coisas. 

Você tem muitos jogadores norte-americanos que vão jogar [na Europa], tem gente que vai treinar. Também na época, o hóquei GongShow era comum, agora você tem Spitting Chiclets e coisas assim que são proeminentes na cultura que não estão necessariamente promovendo inclusão, que as pessoas copiam porque pensam, bem, essa é a maneira de ser um jogador de hóquei. 

Então, da mesma forma que crianças pequenas copiam crianças mais velhas e crianças mais velhas copiam jogadores juniores e jogadores juniores copiam jogadores da NHL, é a mesma coisa lá porque eles querem estar na NHL. Todos esses jogadores querem ser jogadores profissionais de hóquei, então eles estão copiando a cultura.

Érica Barros: Como você faz para lidar com todo o ódio que recebe? Nós, como mulheres nos esportes, sabemos algo sobre o ódio online é muito difícil. Mas é claro, é diferente. E você falou um pouco sobre isso.

Ana Gabriela: Você postou no Twitter sobre o seu projeto com a comunidade LGBTQ+ e recebeu muito ódio!

Érica: Um dos nossos amigos do site disse que não sabia quanto ódio você recebia online. Ele ficou chocado. Nós ficamos tipo “infelizmente, isso é normal”. E eu quero saber como você lida com o ódio online.

Brock: Então, é interessante porque recebi muito ódio recentemente porque estava falando sobre as 10 equipes da NHL que têm parceria com o restaurante Chick-fil-A. Eles financiam a terapia de conversão. Eles financiam todos os projetos de leis anti-trans de esportes e leis que impeçam crianças trans a praticarem esportes. Eles estão alegadamente por trás de todos esses projetos, assim estão tentando impedir a igualdade na América. Eles estão financiando tudo isso e 10 times têm parcerias com eles e eu continuo voltando ao ponto de que você não pode dizer #HockeyisForEveryone [hockey é para todo mundo], ter as noites de orgulho e ainda assim ter equipes que estão promovendo grupos de ódio. Você não pode ter as duas coisas.

 

A última vez que eu disse isso, e eu falo sobre isso com bastante frequência, recebi muito ódio e não me importo. Eu prefiro que venham atrás de mim do que de outras pessoas, pois vejo quanto ódio as mulheres recebem. E eu acredito que porque eu me identifico como homem, tenho uma aparência masculina, algumas pessoas não virão a mim com o ódio que iriam contra um cara gay, ou uma pessoa queer ou contra mulheres no geral, por conta da minha aparência masculina e a mentalidade de que eu poderia espancá-los ou algo assim. Às vezes tenho empatia e simpatia pelas pessoas, mas outras vezes exponho um pouco disso porque quero que as pessoas vejam como realmente é para as pessoas [queer].

Dessa forma, eu vejo o que minhas amigas que são mulheres passam e é ainda pior se eles têm opiniões sobre esportes. Eu não entendo o ódio que eles recebem. A maioria do hate que eu recebo vem por DM, quando eu critico a NHL, são grupos diferentes. Recebo ameaças de morte que acontecem com bastante regularidade, mais do que eu exponho no meu Twitter, Instagram ou sei lá o quê, e neste ponto eu não me importo, mas alguns deles são pessoas reais.

Alguns até me mandam o meu endereço. Sim, é assustador. Mas, novamente, se eu puder tirar esse fardo de outras pessoas que estão lidando com ainda mais coisas do que com as que estou lidando, então prefiro que venham até a mim. Acho que as mídias sociais deveriam fazer um trabalho melhor para controlar esse tipo de coisa, para que a internet seja um espaço seguro para todos. No entanto, eles estão fazendo um trabalho terrível. 

Alguém fez uma burner account usando exatamente as minhas informações, basicamente E foi muito bizarro! Mandaram tweets para o Black Girl Hockey Club e outros grupos diferentes fingindo ser eu! E eu fiquei tipo “Eu amo elas [o BGHC]!”. E esse tipo de coisa realmente faz com que eu ou as pessoas que são mais marginalizadas do que eu fiquem chateadas ou pensem que eu fiz algo quando não fiz ou houve problemas de comunicação. 

Esses momentos realmente me machucaram porque eu não quero isso. Eu quero abraçar as pessoas e apoiá-las. Eu não quero adicionar trauma ou fardo ou qualquer coisa. Então, esses ataques me chatearam. Mas idiotas que vêm gritar comigo porque gostam de frango ruim ou porque são intolerantes, que venham para mim. O engraçado é, e não que eu seja anti-violência, mas eles nunca diriam isso na minha cara.

Érica: Claro que não.

Brock: E é isso que eu digo. Eu digo “você é um covarde. Vocês se escondem atrás de sua tela. Vocês botam suas burner accounts. Me enviem uma mensagem de sua conta real”. Eles são covardes e são covardes fanáticos e isso é triste. É triste para a humanidade que ainda estejamos assim, mas para mim, se eu conseguir resistir, talvez isso dê poder a alguém e faça com que se sinta como alguém que está se levantando por eles. 

Portanto, não me importo em enfrentá-los. Não me importo em levar a parte mais pesada, e espero que seja menos para outras pessoas. Espero que isso encoraje as pessoas a verem que alguém vai defendê-las.

Érica: Muito legal. Nas últimas semanas tivemos um problema em nossas redes sociais com comentários homofóbicos e machistas. Um homem falando muita merda. Desculpe pelo linguajar. Tivemos que bloquear. Tivemos um problema muito triste também, e as pessoas não entendem. Eles continuam falando e comentando esse tipo de coisa. E no nosso site, temos essa plataforma que tem 3.000 seguidores no Instagram, temos 6.000 no Twitter. Então podemos usar essa plataforma para ajudar as  pessoas que sofrem com esses comentários, mesmo que às vezes sejamos nós quem sofremos. Nós quatro ficamos muito tristes e às vezes é difícil. Mas somos quatro mulheres brancas, cis também. Portanto, embora duas de nós sejamos LGBT +, somos privilegiadas. Então, eu entendo o que você está dizendo sobre isso. É difícil. Muito difícil.

Brock: É, e é uma merda. E eu sinto muito que isso esteja acontecendo. Mas, no final das contas, sei que tenho trabalhado em um projeto ultimamente, assim tenho visto muitas pessoas queer, e somos muito resistentes. Nós somos, e as mulheres também. Assim como grupos mais marginalizados, entende? Somos tão resistentes e vamos superar, e podemos superar isso, e podemos apoiar e elevar uns aos outros. E há poder nisso. Existe poder sabendo que não estamos sozinhos. Há poder sabendo que há tantos de vocês, há quatro de vocês aqui, e que não estão sozinhos. Isso é algo enorme.

Luiza: Sim, com certeza. Antes de terminarmos, eu só queria perguntar sobre o Kurtis Gabriel. Ele joga pelos San Jose Sharks, e é um amigo seu, e atualmente é o jogador que mais fala sobre a comunidade LGBTQI+ na NHL. E o que você acha disso? Porque eu já o vi recebendo ódio de gente que é da comunidade, tipo “você é hetero, não devia falar disso”. E eu vi muitas pessoas com ele e apoiando. Então, como você se sente sobre toda a situação e sobre ele ser um jogador e falar sobre isso?

Brock: Acho que todo mundo quer aquele aliado perfeito que faz tudo certo e faz tudo perfeitamente bem desde o primeiro dia. A realidade é que essa pessoa não existe. Eu expliquei um pouco sobre a cultura do hóquei, como é um esporte isolado e tudo mais. Kurtis vem dessa cultura. Então, essas não são questões que foram necessariamente humanizadas para ele, como são para a pessoa normal que vive em sociedade e se relaciona com pessoas de diferentes raças, diferentes identidades de gênero, diferentes orientações sexuais ou qualquer coisa. 

Kurtis está neste mundo do homem branco heterossexual, o fato de ele botar a cara a tapa, ele sempre faz isso com perfeição? Não! E eu digo isso a ele? Sim! Temos muitas conversas. E eu acho que tenho um pouco mais de espaço para falar com ele sobre quando as coisas não são perfeitas, porque eu posso ligar para ele e ficar tipo “ei cara, sabe, tipo, talvez você devesse ter falado isso”. Ou “o que você estava pensando aqui?”. Ou, você sabe, “é assim que você deve expressar isso”. Mas por conhecer ele tão bem e porque fizemos uma amizade, sei quais são as suas intenções. E eu sei que mesmo quando as coisas são ditas erradas ou, você sabe, ele corre para tweetar ou qualquer outra coisa, ele não está fazendo isso por malícia ou mágoa ou para tentar dominar o espaço, ele está fazendo isso porque ele se importa.  Eu acho que alguém que desempenha o seu papel no hóquei, a lição para ele é desacelerar. Acho que ele está começando a aprender isso.

Eu fico triste ao ver as pessoas [criticando] e eu entendo, todo mundo vai ter suas opiniões, e você não pode ser amado por todos, está tudo bem, as pessoas podem ter suas opiniões. Mas eu acho que por ele, eu sei o porquê ele faz isso. Ele faz isso porque realmente se importa e está tentando ser melhor o tempo todo. Para mim, é isso que precisamos nos aliados, são pessoas que estão tentando ser melhores o tempo todo. 

Portanto, tenho todo o tempo do mundo para Kurtis. E não foi assim que começamos. Eu pensei que ele estava apenas usando a pride tape, e ele era um cara típico do hóquei. E então conversamos ao telefone logo depois que ele o usou. E ele disse, “Sim, eu só quero ser jogador de hóquei”, sério. E eu fiquei “como você vai usar sua plataforma agora que está fazendo isso?”. E ele disse, “Eu só quero ser um jogador de hóquei”. Só um ano depois que ele ficou mais envolvido e eu o vi crescer e evoluir. Acho que nós nos damos muito tempo e espaço para crescer e evoluir como seres humanos e como pessoas queer e até mesmo aceitar nossas próprias identidades e aceitar quem somos.  Mas esperamos que outros entendam imediatamente e por completo, isso nem sempre é justo, pode afastar as pessoas. Mas isso não afastou ele, ele ainda está tentando e trabalhando nisso. Ele vendeu autógrafos e os lucros foram para o Black Girl Hockey Club. Ele acabou de vendeu moletons, eu sei que as pessoas estavam falando sobre isso de uma forma negativa, o que com certeza, tudo bem. Ele é um cara hetero que vende moletons com o logotipo do Pride. Mas todos os lucros foram para a cirurgia de remoção de seios de uma pessoa. Écomo se tivéssemos um hockey bro hetero-cis, fazendo um trabalho para melhorar a comunidade, trabalhando para ser um grande aliado. Não que tenhamos que colocá-los em um pedestal ou algo assim. Mas, você sabe, acho que temos que dar-lhes espaço para crescer e evoluir.

Luiza: Claro que sim. E eu acho que para nós que estamos envolvidos na comunidade do hóquei e vemos como as coisas são, e para você, como ex-jogador de hóquei, acho que é mais fácil para nós entendê-lo em suas posições, como a maneira como ele está crescendo e evoluindo, porque sabemos o quão tóxica essa cultura pode ser e como ela é extremamente heterossexual e branca. E como você disse, crescendo dentro de tudo isso com a homofobia e todas as coisas realmente tóxicas. Então eu acho incrível que ele esteja tentando superar isso, se expondo e falando sobre isso.

Brock: Além de se expor e falar sobre isso para fãs, Kurtis tem conversas com jogadores profissionais de hóquei sobre essas coisas que as pessoas nem sabem, nunca ouviremos sobre. Kurtis trouxe para mim pessoas com as quais eu conversei, que são jogadores da NHL, sobre diferentes questões e sentimentos que eles têm que podem não ser inclusivos. Com isso eu sou capaz de tentar guiá-los e educá-los um pouco sobre isso e de certa forma, humanizar um pouco e educar. Há poder nisso, porque esperançosamente em algum ponto, teremos mais aliados vocais que são jogadores em níveis profissionais do esporte. E será por causa de pessoas como Kurtis, que fizeram isso primeiro. Isso vai acontecer e haverá conversas nos bastidores que ninguém sabe. Às vezes sinto que é um pouco injusto que ele esteja recebendo essas críticas. Mas é a percepção versus o que está de fato acontecendo, as pessoas também não sabem das coisas que ele faz nos bastidores.

Luiza: Sim. E ouvir isso é muito legal porque nem todos os jogadores e nem todos [da comunidade] estão prontos para ser tão francos e ser tão abertos exatamente, porque a comunidade é muito tóxica. E vimos isso quando Buffalo e Pittsburgh fizeram aquela noite do Orgulho LGBT conjunta, as seções de comentários eram simplesmente horríveis, horríveis. E eu olhei para isso e pensei, talvez seja por isso que não temos nenhum jogador gay ou LGBTQI+ que seja aberto sobre isso por causa disso. Esta é a razão pela qual. É uma loucura às vezes, e é muito legal que vocês estejam fazendo isso e trabalhando com eles.

Brock: Bem, sim. E você olha para isso como os comentários de fãs e sabe, que são influenciados por algo que vem da cultura do esporte. Então, se os fãs estão agindo dessa forma nos comentários e acham que está tudo bem, eles estão ouvindo em algum lugar. Isso significa que há pessoas no esporte, e não significa que são todas elas, mas há pessoas no esporte que falam e agem dessa maneira e se comportam dessa maneira e acreditam nessas coisas. Há muitas pessoas que não estão se manifestando contra isso. Portanto, não é um espaço seguro para um jogador gay se assumir ou um jogador queer porque temem por sua carreira. Eles temem por sua oportunidade no esporte. E, por isso, precisamos de mais aliados vocais, e precisamos de pessoas que enfrentem o vestiário para a linguagem e os vestiários. Precisamos que as pessoas se posicionem nos comentários e que digam que isso não está certo.

Luiza: Sim, com certeza. E você acha que se tentarmos trazer essa consciência para os vestiários dos jogadores mais jovens, como nas ligas juniores e nas ligas menores, isso ajudaria a construir um lugar mais confortável, um espaço mais seguro? Porque eu acho que as pessoas falam muito sobre a NHL, mas eu acredito que as coisas também podem começar do início e do fundo e então crescer em futuros jogadores e construir uma zona mais confortável.

Brock: Sim. Já disse há muito tempo que acho que há uma abordagem de três níveis em que você deve fazer de baixo para cima, da base para o topo. Ao mesmo tempo, você tem que fazer de cima para baixo. E a parte do meio será júnior e NCAA. Os jogadores juniores e jogadores da NCAA têm mais influência porque são vistos da mesma forma que os jogadores profissionais, eles são como celebridades nessas comunidades.  Eu digo que eles são parecidos com, tipo, um influenciador do Instagram ou YouTuber, onde eles são meio famosos, mas ainda são seus vizinhos. Você sabe o que eu quero dizer? Onde está Connor McDavid, da mesma forma como Brad Pitt, tipo, você não vai ver Connor McDavid na rua ou no supermercado, talvez. Mas esses jogadores juniores vão para a escola com seus colegas. Eles são acessíveis. Se você é um jogador da NCAA, você está em aula com seus colegas o tempo todo e eles são acessíveis à comunidade. Então, eles estão influenciando os jovens. 

Os adultos ainda os admiram e torcem por eles da mesma forma que fazem com os jogadores da NHL. Eles provavelmente possuem muita influência na cultura do hóquei, estão sendo influenciados pelos jogadores da NHL, e então eles [jogadores junior] estão influenciando os jogadores mais jovens. Eu acho que se tivermos um sistema de dois níveis, mas no final das contas ele se encontrar no meio, isso realmente mudará a cultura do hóquei, e não pode ser apenas a NHL. 

Essas ligas juniores precisam fazer mais porque são realmente problemáticas. Eu compartilho histórias sobre eles o tempo todo. Há muita linguagem homofóbica, mas falei com vários deles, e cada vez que converso com uma equipe, essas crianças nem percebem o impacto de suas palavras. Eles não percebem nada disso e se adaptaram totalmente a uma cultura. É engraçado. Posso ir a qualquer lugar no Canadá e saberei quem joga hóquei. E tenho certeza que no Brasil você pode dizer quem joga futebol. Eles se vestem da mesma forma. Eles possuem o mesmo linguajar, andam da mesma maneira. Eles agem da mesma forma. Eu estava conversando com uma escola de esportes em Toronto no Zoom há duas semanas e, geralmente, toda vez que falo pessoalmente para uma escola, tento escolher um dos garotos do hóquei no meio da multidão e fazer uma pergunta. Consegui fazer isso no Zoom. Eu fiz uma pergunta a um garoto do ensino médio e depois ele me adicionou no Instagram. E ele é um first round pick da OHL e está jogando na OHL este ano. E eu disse, eu sabia que você é um jogador de hóquei, eu sabia. 

Mas há tanta conformidade que temos que quebrar isso. E começa nesses níveis quando eu entro em vestiários agora, além de falar sobre homofobia e outras coisas, eles não podem nem ser eles mesmos, eles não podem nem mesmo gostar das coisas que gostam, podem falar sobre esportes, mulheres, festas e jogos, é isso, talvez música, mas todo o resto está fora dos limites. Então agora uma coisa que tento fazer depois de humanizar as questões é falar sobre minha vida e educá-los um pouco sobre a linguagem. Faço com que eles compartilhem algo que normalmente desejam compartilhar com o colega de equipe de que gostam. Eu tive lutadores dizendo que amam escrever poesia, eu tive um treinador de um grande time júnior disse que eu amo ir a musicais da Broadway. E outro jogador fala, quero ser zoólogo se não for para a NHL. E o jogador disse “eu amo documentários de animais”. Mas agora eles estão se unindo em um nível mais profundo porque não têm permissão para fazer isso neste esporte. E temos que abrir espaço para que eles possam fazer isso

Érica: A última pergunta não é realmente uma pergunta. Mas você poderia deixar uma mensagem para alguém da comunidade LGBTQ + que deseja trabalhar com hóquei, seja jogando ou como jornalista ou nesta indústria, mas tem medo de não ser aceito por causa de sua sexualidade?

Brock: Essa é a forma como eu vivo agora e perdoe minha linguagem, mas aceitação é besteira/pura merda. Você não precisa da aceitação de ninguém além de você mesmo. Só você pode se aceitar. Se você está preocupado com a aceitação do esporte, da cultura, de seus colegas, então você está criando hierarquias que estão acima de você e não existem, pois somos todos iguais. Mas primeiro você precisa se aceitar, porque só você pode aceitar a si mesmo. E quando você aprende a amar a si próprio Eu digo, em todos os lugares que vou, “Eu amo ser um homem gay” porque isso é importante e mais pessoas precisam ouvir isso. E quando você ama sua identidade, você não vai se importar com o que os outros pensam e ninguém vai ficar no seu caminho. Quando você se ama totalmente e se abraça, ninguém vai conseguir o que você quer. E se você precisar de suporte ao longo do caminho, entre em contato. Minhas DMs estão abertas. Às vezes eu demoro para responder, mas vou responder. E este espaço é para você.

Estou trabalhando agora em um projeto em que, na semana passada, entrevistei cerca de 55 pessoas queer que estão envolvidas com hóquei. E temos cerca de 100 entrevistas agendadas. E este espaço é para você, e vamos fazer com que você perceba que é para você. Mas por enquanto, estenda a mão, porque estou sempre aqui e você pertence a este esporte.

Luiza: Fantástico. Muito bonito. Sim, acho que foi isso. Então, obrigado, Brock, por estar aqui conosco hoje. Foi demais. Foi realmente incrível conhecer você mais e responder a todas essas perguntas. É muito importante para nós trazer essa plataforma e usar nossa voz para levar os assuntos importantes para todos. Então, muito obrigada.

Brock: Bem, obrigado. Acho que o que vocês estão fazendo é muito importante. Estou muito grato por você ter estendido a mão. E estou tão emocionado em ver as mulheres no Brasil se engajando no hóquei, e vocês vão mudar a cultura apenas por existir e fazer parte. Então, obrigado.


Assista a entrevista na íntegra:

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